A violência obstétrica tornou-se um tema central nas discussões sobre os direitos da mulher na maternidade, e esse movimento é um marco para a promoção de práticas de saúde mais humanizadas e seguras. No entanto, a sociedade tem apresentado uma compreensão ainda fragilizada sobre o que, de fato, configura violência obstétrica e o que caracteriza uma assistência humanizada no parto.
Esse movimento social começou como uma resposta ao tratamento inadequado e muitas vezes abusivo enfrentado por gestantes durante o parto, buscando eliminar práticas desnecessárias, garantir respeito à autonomia da mulher e promover uma assistência digna e empática. Mas um dos principais desafios está na falta de um consenso claro sobre o que é humanização. Muitas vezes, o conceito de humanização é interpretado de maneira subjetiva, variando conforme percepções individuais — tanto de profissionais quanto de pacientes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu diretrizes que auxiliam no entendimento do que é um parto humanizado e como ele pode ser oferecido de maneira uniforme e segura. Para a OMS, o parto humanizado envolve práticas que respeitem a autonomia e a dignidade da mulher, promovendo o mínimo de intervenções necessárias, o apoio contínuo da equipe de saúde e o ambiente acolhedor. Isso significa, entre outras coisas, oferecer à mulher informações detalhadas, objetivas, acolher suas preferências, e respeitar suas escolhas sempre que possível e seguro.
Para minimizar a confusão e os riscos associados à falta de entendimento sobre a humanização, é essencial que a gestante esteja informada desde o início sobre todas as etapas que podem ocorrer no atendimento. Informá-la sobre suas opções, seus direitos e as práticas previstas permite que ela tenha uma visão clara do que esperar. Além disso, é importante que, ao final do processo, haja uma avaliação criteriosa das práticas adotadas, para verificar se todos os direitos foram respeitados e se a experiência foi conduzida de acordo com os princípios de humanização definidos. Esses são os principais pontos de falha: deixar na percepção da gestante a experiência por ela esperada sem demonstrar de forma clara e descritiva o que será ofertado pela instituição e por seus profissionais , ou seja , alinhar a expectativas!
Esse diálogo prévio e a clareza sobre cada experiência prevista ajudam a alinhar expectativas e a construir um atendimento que realmente atenda às necessidades da gestante, reduzindo a percepção de violência obstétrica e promovendo uma experiência de parto mais segura e respeitosa para todos.
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