As evasões hospitalares são um problema recorrente e representam uma prática que compromete tanto a segurança do paciente quanto a dos profissionais de saúde. A saída de um paciente sem orientação médica, seja em uma emergência, durante uma internação ou até mesmo no pós-alta, configura uma falha institucional grave, pois geralmente ocorre sem um registro adequado que detalhe a recusa de tratamento e os riscos dessa decisão. Apesar de amplamente difundida e aceita, inclusive incentivada por advogados da medicina defensiva, essa ausência de documentação pode implicar em danos tanto para o paciente quanto para os profissionais envolvidos.
A recusa de tratamento e a evasão não devem ser vistas apenas como “alta a pedido”, não é aceitável que um paciente (ou qualquer pessoa) entre ou saia de uma instituição sem ser visto, o que deveria demonstrar a mesma insegurança de quando ouvimos falar sobre o rapto de um bebê em uma maternidade. É necessário que todos os profissionais envolvidos compreendam a importância de documentar formalmente cada caso, informando o paciente sobre os riscos da interrupção do tratamento e, assim, assegurando que ele esteja consciente das consequências. Esse registro precisa ser multiprofissional, com envolvimento dos médicos, enfermeiros e, se necessário, de outros membros da equipe, sempre respeitando a autonomia do paciente, mas garantindo que a decisão seja bem informada.
Embora, por vezes, a alta contra recomendação seja aceita e até mesmo incentivada em algumas situações, essa prática abre espaço para erros que podem resultar em complicações para o paciente e gerar insegurança jurídica para os profissionais. A ausência de registros sobre as orientações e os riscos discutidos é um ponto vulnerável em possíveis processos futuros, que poderiam questionar a qualidade da assistência prestada.
Na plataforma SafeTALKS, você encontra 08 aulas específicas sobre recusa de tratamento, alta a pedido, evasão em Pronto-Socorro, nas internações e acompanhamento pós-alta. Essas aulas são projetadas para aprimorar o entendimento dos profissionais sobre como documentar de forma adequada essas situações, assegurando tanto a qualidade da assistência quanto a segurança jurídica e institucional.